Publicado em 16 de abril de 2026

AUDIÊNCIA PÚBLICA – Economia indígena ganha destaque e reforça autonomia das mulheres nas aldeias

A diversificação das atividades econômicas nos territórios indígenas, como o ecoturismo, o artesanato, a piscicultura e a agricultura,  esteve no centro do debate durante audiência pública promovida pela deputada estadual Eliane Xunakalo (PT). O encontro reuniu lideranças indígenas, representantes institucionais e especialistas para discutir caminhos de fortalecimento econômico, o papel fundamental das mulheres indígenas e o acesso a políticas públicas.

Entre os principais desafios apontados estão a necessidade de financiamento, acompanhamento técnico e investimentos em educação básica e formação profissional, considerados essenciais para impulsionar as vocações produtivas de cada território. De acordo com Xunakalo, iniciativas como o turismo comunitário já começam a ganhar força em Mato Grosso, revelando potencial para geração de renda aliado à preservação cultural e ambiental.

As lideranças destacaram que o fortalecimento político dos povos indígenas está diretamente ligado à organização econômica dentro dos territórios. “Para garantir o fortalecimento político, é preciso organização econômica dentro dos nossos territórios”, afirmou Silvano Chué Muquissai, presidente em exercício da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt). Na mesma linha, Josileia Kaingang, ativista dos direitos das mulheres indígenas e cofundadora da Articulação Nacional das Mulheres Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA), reforçou que “não existe autonomia política sem autonomia econômica”.

Outro ponto recorrente foi a valorização de uma economia baseada no cuidado com a terra e o meio ambiente. Para os participantes, é necessário superar a visão de que a economia indígena é folclórica ou marginal. “A economia indígena não pode continuar sendo tratada como folclore ou algo à margem dos poderes públicos”, destacou Silvano Chué. Ele também ressaltou que “sem os povos indígenas não pode haver desenvolvimento, nem futuro sustentável com justiça climática”.

A participação das mulheres indígenas foi apontada como central nesse processo. “Quando uma mulher indígena entra nos espaços de poder, ela não entra sozinha. Entra com seus ancestrais, com sua história de resistência”, afirmou Josileia Kaingang,

Durante o debate, ficou evidente que os povos indígenas não buscam apenas inclusão simbólica, mas protagonismo efetivo nas decisões políticas. “Não estamos mais pedindo espaço, estamos ocupando os espaços”, declarou a ativista Kaingang. Ela também destacou que a criação de redes e articulações, como a chamada “bancada do cocar”, surge como estratégia de fortalecimento dentro das instituições.

A trajetória de Eliane Xunakalo foi lembrada como símbolo desse novo momento. “Eliane não é apenas uma política, é uma mulher do território, que representa um caminho de ruptura com séculos de exclusão”, afirmou uma das participantes. Sua atuação à frente da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt) foi citada como parte desse processo de construção coletiva.

Segundo o superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) em Mato Grosso, Nelson Borges, “há programas como o Pronaf A disponíveis para os povos indígenas, mas é fundamental que haja organização para acessar esses recursos”. Ele também destacou ações como os quintais produtivos, voltados especialmente às mulheres indígenas.

As falas reforçaram ainda que os povos indígenas já atuam em diversas cadeias produtivas, como turismo, mel, castanha, pesca e agricultura. “Nós temos a nossa própria economia, que valoriza a natureza, os biomas e a ancestralidade. Economia, para nós, não é só dinheiro, é a nossa forma de viver”, destacou a deputada. Em outra fala, ela enfatizou que os indígenas não são pobres, como muitos afirmam: “somos ricos em conhecimento, cultura e relação com a terra”.

A necessidade de políticas públicas mais assertivas também foi destacada. A presidente do PT em Cuiabá, Edma Macedo, lembrou a importância da posse de Eliane Xunakalo e cobrou posicionamento diante de conflitos envolvendo a criação de novas áreas indígenas no estado.

Ao final, o consenso entre os participantes foi de que o desenvolvimento sustentável passa pelo protagonismo dos povos originários. “Não queremos ser únicas nem temporárias, queremos ser muitas e permanentes”, afirmou Eliane Xunakalo, reforçando a luta por representatividade e autonomia nos territórios.

 

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