Publicado em 29 de outubro de 2026

Léo Rondon pede cassação de vereador bolsonarista que defendeu demissão de “petistas” em Cuiabá

Léo Rondon, suplente de deputado federal pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso, protocolou nesta quinta-feira (29) uma representação com pedido de cassação do mandato do vereador Rafael Ranalli (PL). A peça, assinada em conjunto com o advogado Vilson Nery, denuncia o parlamentar bolsonarista por possível quebra de decoro, perseguição ideológica e assédio eleitoral no ambiente de trabalho.

A medida é uma resposta às declarações de Ranalli em veículos de imprensa, em que incitou empresários a utilizarem a coação econômica contra funcionários que tenham apoiado o presidente Lula (PT). Em suas manifestações, o vereador defendeu abertamente a demissão com base no voto, proferindo ataques como “Fez o L, fica sem emprego” e “Se o cara quiser mandar embora o petista, ele manda. Vai viver de Bolsa Família”.

Para Léo Rondon, a conduta representa um ataque direto à dignidade de pais e mães de família e remete a um passado de opressão que ele sempre combateu. “Não aceitaremos que, sob o manto do mandato parlamentar, um vereador tente ressuscitar o coronelismo e o voto de cabresto em pleno 2026. Ameaçar o pão na mesa do trabalhador por sua escolha democrática é crime, é covardia e fere a essência da nossa Constituição, seguirei firme na defesa intransigente da classe trabalhadora e da democracia”, afirma o jovem petista.

A representação é embasada nos artigos 300 e 301 do Código Eleitoral Brasileiro, que proíbem o uso da condição de poder para constranger ou coagir eleitores mediante a ameaça de perda de emprego. Além disso, a conduta atinge os princípios protetivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e viola o artigo 198 do Código Penal, que trata de atentados contra a liberdade de trabalho.

No Legislativo municipal, as falas de Ranalli configuram quebra de decoro por possível abuso de prerrogativas e incitamento à prática de crimes, infrações passíveis de perda do mandato conforme o artigo 90 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá. Léo Rondon destaca que a imunidade parlamentar não serve de escudo para o cometimento de crimes e agressões à classe trabalhadora.

Além de cobrar a instauração do processo disciplinar pela Comissão de Ética e a cassação no Plenário, Léo Rondon assegura que a luta se estenderá aos órgãos de proteção ao trabalho. A representação pede o encaminhamento das provas ao Ministério Público Eleitoral (MPE), ao Ministério Público do Trabalho (MPT-MT) e à Polícia Federal, para que o assédio eleitoral seja duramente punido nas esferas cíveis e criminais.

O petista reforça ainda o caráter preventivo da medida: “Que essa representação sirva de exemplo para que esse tipo de prática não se repita em Mato Grosso e no Brasil. Sempre levaremos esses casos ao conhecimento das autoridades para que os responsáveis sejam punidos no rigor da lei”.

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